Fazendo uma paródia com o programa de TV, temos um potencial apresentador em casa.
Podemos dizer que estamos inaugurando a longa saga de de historinhas dos gêmeos; mas para isso precisamos deixar bem claro para as autoridades que eventuamente lerem estes relatos que não me mandem pro xilindró, pois tudo aqui é feito com muito amor, OK?
Vou logo entregando quem é o figurassa: Theo.
A primeira vez em que ele se aventurou pela culinária exótica foi um susto.
Susto passa a ser palavra e sentimento redundantes por aqui.
Eles ainda não andavam , mas já engatinhavam por toda a sala. Aliás, a sala virou playground, já que ela é de bom tamanho e conseguimos aqui e acolá cercá-la de maneira que eles ficassem restritos somente a este ambiente.
Mas logicamente, nem todas as armadilhas conseguimos remover, pois para quem tem filhos pequenos, é sabido que o grau de armadilhas aumenta proporcionalmente à capacidade dos pequenos de descobrirem e realizarem novas façanhas.
No caso eles já se apoiavam na beirada da mesa de centro, onde se encontravam uns parafusos que deixei um tempinho atrás.
Estava fazendo alguma coisa quando tudo ficou muito silencioso na sala...sabem como é, soa como um alarme e logo desconfiamos de que algo fora do normal está acontecendo.
Aqui preciso fazer um aparte:
É algo realmente misterioso, uma habilidade que desenvolvemos...enquanto não os vemos, "enxergamos" o que eles fazem através dos ruídos; BLAM! Oops, lá se vai o vaso; CRASH! Bem, lá se vão todos os controles remotos para o chão; CABUM! É, esta foi uma cabeçada. Enfim, quando necessário, logicamente corremos acudir.
Enquanto ouvimos seus ruídos e identificamos o que acontece, está tudo bem, mesmo que a sala esteja sendo destruída, mas o silêncio, ah, este é sinal de encrenca das boas.
Corri para ver e ele me recebeu com um sorrisinho maroto, mas com a boca fechada...me pareceu que estava chupando bala...abri logo a sua boca e tirei três parafusos da boca dele.
Fiquei desesperado, pois aqueles parafusos seriam de uma tampa com quatro parafusos no total; onde diabos estava o quarto parafuso?
Meu estômago gelou e corri para verificar...enfim, achei o quarto parafuso na tampa e fiquei aliviado.
Sua segunda aventura gastronômica exótica, foi quando, já sabendo andar, alcançaram um boizinho esmaltado que trouxemos de São Luís que estava sobre a mesa do telefone.
Ouvia muita atividade pela sala enquanto estava na cozinha e subitamente...o temido silêncio...corri verificar.
A cena era a seguinte: Lucca brincando com o boizinho no chão e Theo me recebendo com o tal do sorrisinho maroto. Até o meu cérebro computar os dados, foram alguns segundos, pois até mesmo os bons policiais precisam de um tempinho para analisar a cena de um crime. A experiência de caso anterior nos foi de muita valia, pois após apreciar a integridade do objeto do crime, verifiquei que ambos os chifres estavam faltando...daí foi num "tirico" como dizem no interior, que fui direto na boca de Theo procurando pelos cornos sumidos.
De sua boca escorria algo avermelhado; logo imaginei que a cerâmica ou o esmalte haviam cortado toda a boca do menino, mas aliviado verifiquei que ele estava mesmo era mastigando os chifres e que a baba que saía era argila vermelha.
Ele realmente estava mastigando aquilo e muito bem!
A terceira aventura gastronômica exótica foi hoje. Mesmo padrão.
Silêncio mortal...corri e encontrei-o com a boca toda amarela.
Logo pensei que era bile e que ela havia vomitado por estar passando mal...mas e aquele sorrisinho maroto? O conhecido sorrisinho não combinava com quem estaria passando mal. Precisei computar novamente a cena do crime até que abri sua boca e encontrei nacos de giz de cera amarela. Quanto será que ele havia ingerido? Será que havia comido pedaços grandes?
Me despreocupei depois que removi todos os pedaços da boca e vi que tudo estava bem mastigadinho.
Amanhã, quando for checar a bos#a amarela, quem sabe descubro o tamanho do giz.
Haja Pique!!