quarta-feira, 18 de novembro de 2009

LAÇANDO A PRÓPRIA BANANINHA





Primeiramente quero isentar qualquer um que esteja envolvido nesta historinha, pois como todos sabem nossa intenção é de apenas contar descompromissadamente e curtir boas lembranças com boas risadas das coisas e fatos que ocorrem no dia a dia do pequeno garoto.

Aproveitando o gancho, gostaria isso sim de agradecer profundamente aos envolvidos por terem salvo o Austregésilo Pinto, vulgo banana nanica, mais conhecido como o pipi do Ettore, de fim trágico e pouco nobre: por auto-enforcamento acidental.

Tendo feito os devidos esclarecimentos e os agradecimentos e apesar de ser fato ocorrido junto a terceiros, tentarei ao máximo manter a fidelidade; ciente também de que serei tentado por todas as alegorias (me perdoem os envolvidos) , passo finalmente a relatar o ocorrido:

Como todos os que possuem filhos na escola sabem, temos a tradição de trocar informações com as professoras e tutoras através da agendinha.

Na sexta passada, foi solicitado a sunguinha e meio quilo de açúcar para a confecção de geladinho; como pai zeloso que sou, vesti o miúdo (quero dizer o menino) com uma sunguinha bem bonitinha e ele todo feliz, foi para a escola carregando meio quilo do precioso açúcar que iria fazer parte da brincadeira do dia; para ser mais exato, devo ter mandado o açúcar no dia anterior, pois havia recebido um lembrete do tamanho da mochila e em letras colossais de que não poderíamos esquecer de jeito nenhum do tal ingrediente senão iria literalmente "melar" a atividade do dia seguinte. Para esclarecer melhor, cada aluno leva uma parte do ingrediente quando é dia de receita onde eles vivenciam o preparo, degustação e impressões; imagino que nós, os pais, tenhamos nos esquecido mais do que algumas vezes o que resultou num justo e enorme lembrete desta vez.

Geladinho pra cá, geladinho pra lá, chegou a hora de brincar na caixa de areia; roupas de lado, imaginem a cena inocente e doce das crianças brincando na areia...olhos irritados, choros, calções e bocas lotadas de areia (-"Tiiiaaa!!! Joãozinho jogou areia na minha caaaraa!!! - Tiaaa!!! Engoli uma pedra!!! - "Tiaaa!! Socorroo!! Não vejo naadaaa!!! - "Tiaaa!! Peguei um bicho geográfico!!!)...ai, ai (suspiro)...lindo não é mesmo?

Claro que temos a figura das nossas benevolentes Prós (como são chamadas as professoras aqui na Bahia) e tutoras que, sempre alertas, salvam nossas criancinhas de todos os perigos em que elas próprias se metem...ah, se não fossem pelas Prós e tutoras...nós pais estaríamos perdidos (aqui não cabe brincadeiras, presto a elas a minha justa homenagem).

Continuando, chega a hora da limpeza geral e todos direto para o chuveiro, afinal de contas não é nada fácil ficar com areia no rêgo, na garganta, nos olhos e assistir uma aula sentadinho e quieto, quanto mais brincar de "vivo, morto" ou "seilámaisoquêvocêpossaimaginar" de desconfortável nestas situações.

Foi aí que a "porca torceu o rabo" ou melhor foi aí que aconteceu o quase suicídio da bananinha do Ettore:

Na hora de tirar a sunga, notou-se que a dita cuja estava apertada; aí a Pró disse:

-"Ettore, quem foi que amarrou apertado deste jeito?"

-"Foi o papai!" (esta sobrou para mim, mas diga-se de passagem que a pequena linguicinha ainda não estava laçada, havia colocado a sunguinha direito, só um pouco apertada na cintura)

A partir daí, bem ou mal, foi sorte o Ettore no meio de tantas crianças estar com a total atenção da Pró, pois o que vem a seguir é de fazer peão duro na queda "suar frio" e "soltar a mola" de desespero...

Justo no momento em que a Pró virava o laço para fora da sunga para desatá-lo, eis que Ettore repentinamente num movimento digno e preciso de um cowboy, resolve puxar o laço com tudo e adivinhem só? Esvaem-se todas as qualidades de um perfeito cowboy laçador para transformar-se num inglório exterminador do próprio bilau;

Com o afogamento iminente do patinho feio, imagino quais pensamentos nobres se passavam num turbilhão pela mente de nossa heroína (Pró)...- O pinto está preso!!! O pinto está preso!! O que faço agora!!???

O menino gritava e chorava após ter constatado o atentado ao próprio patrimônio, com certeza arrependido ao tentar demonstrar seus dotes de peão de boiadeiro na prova do laço na hora errada (e com o alvo errado!) e certamente estava muito assustado com a situação: imaginem a equação salsichinha amarrada + desespero das pessoas tentando ajudar = mais desespero do moleque.

Num sobressalto, nossa heroína pega o menino nos braços e corre até a coordenadora dando vazão ao seu turbilhão nobre de pensamentos. Estendendo Ettore nos braços em direção da coordenadora ela disparou: -"O pinto está preso!!! O pinto está preso!!! O que fazemos agora!!??

Pobre coordenadora, imagino que tenhamos de coração render nossas homenagens pois o seu dia a dia também é feito de situações inverossímeis e conturbadas como esta...

Neste momento, somou-se à equação um fator que assombra todos os homens quando se trata do bráulio: uma tesoura.

Não sei o que o Ettore pensou, mas com certeza foi algo entre a entrega total (seja o que Deus quiser) ou o desespero total (-"NNNãããoooo!!! Sai pra lá com esta tesoura, jacaré!!!")

Nossa coordenadora tentou, tentou...- "NNNããoo Coonnnsiiigooo!!" Aqui deve ter sido o ápice da situação entre decidir e conseguir liberar a linguicinha da degola ou ir se preparando para a morte do cisne.

Cheia de coragem, a Pró coloca o menino se debulhando em choro com o pinto enforcado nos últimos suspiros de vida nos braços da coordenadora (-"Dê-me a tesoura e segure ele firme aí!!!!") e com a habilidade de um "Edward Mãos de Tesoura" libera finalmente o pipi de um desfecho que poderia ter sido trágico...; devemos esclarecer que não houve circuncisão nesta manobra.

Graças a Deus (mesmo) e a rápida e corajosa atitude (mesmo) das suas tutoras escolares, Ettore tem o seu futuro de Don Juan garantido.

Agora falando sério, tudo não passou de um susto e agradecemos a rápida intervenção das tutoras e vale o lembrete para cuidados com situações semelhantes com barbantes, cordas, cadarços de sapatos ou calções não só no pipi, mas no pescoço ou outra parte do corpo qualquer; procuramos sempre explicar ao Ettore sobre situações de perigo com tudo, mas como a lei de Murphy e a Teoria do Caos estão sempre presentes, novas situações ocorrem e esta foi uma delas causada por ele mesmo; como relatei no início, ainda bem que naquele momento Ettore tinha a total atenção de sua professora, o que certamente foi decisivo para o feliz desfecho. Portanto pais, previnam-se e que esta divertida história que graças a Deus não teve final trágico, nos sirva de lição, ok?
Para finalizar, ia me esquecendo;

Quando fui buscar o menino, imaginem a situação da Pró tendo que explicar o ocorrido (que o filho quase teve o pinto enforcado) justo ao pai (acho que ela desejara que a mãe tivesse ido buscar o menino neste dia) que desavisado como sou respondi: Mas e aí? Arrancou fora? Ou foi só na pele?


Na hora devo ter gerado ligeira confusão na Pró, pois simplesmente deixamos o local com um satisfatório - "Não foi nada e está tudo bem." Lembro de que a minha ficha foi cair só alguns minutos depois de chegar em casa; dentro do carro mesmo, disse que iria ter que verificar seus documentos e assustado como nunca, ele não queria deixar; como não havia marcas ou hematomas, desencanei e fiquei apenas com os olhos atentos para uma possível evolução. Dali para frente só nos foi permitido checar o pinto com as mãos para trás (imposição do dono)...


Ainda brinquei com ele quando a mãe chegou minutos depois do exame que fizemos no banco de trás do carro; costumeiramente ao chegar, mamãe pergunta a ele: - "E aí? Tudo bem? Como foi o seu dia hoje?"


Logo fui me adiantando e brinquei: - "Hoje ele ficou com o pinto amarrado!..."


Ele logo retrucou MUITO bravo e com um bico enorme no final da frase: - "Não fiquei com o pinto amarrado NADA!!! GRRRRR!!!!"


Ufa! Nada como voltar a ativa!

Beijos a todos

KANJA

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

DURO APRENDIZADO

Somos o reflexo de nossas atitudes

Nossas decisões nos colocam onde merecemos

Como todos os problemas, eles só começam a ser solucionados quando compreendidos, assumidos e devidamente trabalhados.

Aceitar que temos problemas neste país é impensável para muitos e dentre as muitas situações de auto-engano que vivenciamos diariamente, estão perigosas fórmulas para o desastre...haja estômago para entender este país...

Postei o conteúdo deste e-mail pois ele nos faz refletir duramente sobre o papel que estamos desempenhando para tornar o nosso país um lugar melhor.

REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES.

Imperdível para amantes da língua portuguesa, e claro também para professores. Isso é o que eu chamo de jeito mágico de juntar palavras simples para formar belas frases. REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES

Tema:'Como vencer a pobreza e a desigualdade'

Por Clarice Zeitel Vianna Silva

UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - RJ

'PÁTRIA MADRASTA VIL'

Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência... Exagero de escassez... Contraditórios ?? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.

Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.

O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.

Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.

A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.

E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição!

É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!

A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.

Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso?

Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.

Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?

Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos...

Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho?

Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante que termina faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários.

Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre 'Como vencer a pobreza e a desigualdade'.

A redação de Clarice intitulada `Pátria Madrasta Vil´ foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da Unesco.

VAMOS REFLETIR!!

KANJA