
Isolado.
Milhares de gotas de chuva caem e embaixo de uma pequena cobertura, fico esperando e pensando em como fui parar naquela situação. Cercado pela chuva que, como uma parede, impede a minha passagem, mas felizmente não o meu pensamento.
A chuva que cai provoca a sensação de que ninguém me encontrará. Quero realmente estar só? Basta um grito, uma palavra para que as pessoas me encontrem. Como fiquei assim? Como fiquei assim? Fui me cercando de pessoas e fatos que me convinham mas que agora, não me servem mais. As pessoas que se acostumaram a me ver como eu sou, nunca me viram por inteiro e como eu, só mereciam respeito pelo rótulo que possuíam (ou achavam que possuíam). Em nosso desejo tolo de sermos reconhecidos pela nossa pseudo existente auto-afirmação, falhamos em mostrar a pessoa que realmente somos e com isso eu passo agora a entender que caibo todo embaixo desta pequena cobertura. Não sou melhor que ninguém e não preciso mais que ninguém saiba quem sou...estou livre. A vida nos ensina a todo o momento e a minha soberba nada mais era do que falta de experiência...somos seres complicados e programados para programar e pouco para sentir.
Assim, resolvo colocar as minhas mãos para sentir o que é esta chuva e...me sinto agora conectado com a vida; não preciso fazer nada, não preciso gritar, espernear, me fazer notar; ser como sou de verdade, é o bastante para me sentir integrado com a vida e isto me consola.
A chuva me isolava apenas porque eu queria e o medo dos outros me prendia a este sentimento.
Concluí que presumir e ser presumido é uma pretensão que nunca mais quero para mim. Quero que meu pensamento, corpo e alma vivam livres; assim estarei respeitando a vida como ela deve ser, liberto de sentimentos duvidosos que nos fazem sofrer e prejudicam a mim e àqueles que me são mais caros.
Agora, saio para a chuva de corpo inteiro e percebo que era...apenas chuva.
KANJA
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